Nove forças moldam o futuro da TI

A maioria dos departamentos de TI está sendo obrigado a lidar com automação inteligente, orçamentos de tecnoogia descentralizados, rápida adoção de serviços baseados em nuvem e, mais recentemente, inteligência artificial como uma necessidade comercial

“Se andarmos apenas por caminhos já traçados, chegaremos apenas aonde os outros chegaram”. A frase, atribuída a Alexandre Bell, tem muito a ver com o momento atual da Transformação digital e do papel do CIO.

A Transformação Digital está mudando profundamente o contexto estratégico, alterando a estrutura da competição, a condução dos negócios e eliminando a fronteira entre os setores de indústria.

De uma forma ou de outra, a maioria dos departamentos de TI está sendo obrigado a lidar com automação inteligente, orçamentos de tecnoogia descentralizados, rápida adoção de serviços baseados em nuvem e, mais recentemente, inteligência artificial como uma necessidade comercial.

Graças a essas tendências emergentes e convergentes, a tecnologia está liberando cada vez mais os trabalhadores das tarefas de rotina. Incusive na área de TI.

Para ajudá-lo a se preparar melhor para as mudanças que já estão ocorrendo – e as que ainda virão -, a CIO.com foi conversar com outros líderes de TI e compilou algumas tendências que eles já colocaram em seus radares.

Automação onipresente
Tudo que puder ser automatizado, será. O impacto de veículos autônomos, dos assistentes digitais, e o avanço da Inteligência Artificial (IA) e da robótica, agrupados, têm potencial exponencial para destruir mais empregos do que criar outros.  Há estudos que sugerem que metade das funções de trabalho desempenhadas pelas pessoas, hoje,  já poderiam ser automatizadas usando as tecnologias existentes.

A automação, que vem se difundindo rapidamente, passando de projetos experimentais para aplicação prática no mundo dos negócio, terá um efeito profundo sobre o emprego no futuro, e em várias áreas. Todas as profissões serão transformadas. Não precisaremos mais de médicos, enfermeiros ou laboratoristas para tirar sangue, fazer ultrassom ou diagnósticos simples.

Na TI, o impacto da autmação crescente será a liberdade para ser mais estratégica.

“Encontrar, extrair e conformar toda essa informação para que ela possa ser usada para impulsionar a tomada de decisões tem sido uma tarefa complexa e intensiva há décadas”, diz Timo Elliott, vice-presidente e evangelista de inovação global da SAP. Com várias dessas etapas automatizadas, o pessoal de TI terá mais tempo para se dedicar à inovação e à integração das estratégias digital e corporativa.

Rapidez como o novo normal
Com a automação onipresente, a velocidade e a agilidade serão a chave. As organizações serão ágeis em sua essência, seja em vendas, finanças, jurídico e até no RH. Na TI, rapidaz pode ser traduzida na garantia de alinhamento e coesão de todos os componentes da infraestrutura (servidores, storage e rede) para permitir um modelo de operação mais ágil, bem como um ambiente de desenvolvimento e entrega contínua de aplicações. As iniciativas tecnológicas que costumavam demorar metade de uma década para serem disponibilizadas e adotadas, estarão em vigor em poucas semanas ou meses.

O Agile Manifesto passa a ser o princípio filosófico da TI e de toda a empresa.

Segurança como responsabilidade de todos

Junto com as oportunidades, a tecnologia em rápida mudança também apresenta novos problemas – tanto na identificação de obstáculos na segurança quanto na busca dos talentos para abordá-los.

“O cenário de ameaça à segurança continua a evoluir”, diz John Mandel, vice-presidente sênior de engenharia da Continuum. “CIOs e departamentos de TI que não se concentrarem nessas áreas descobrirão que este é um grande risco para seus negócios e precisarão ser diligentes na avaliação de novas ferramentas para proteger os negócios de novas ameaças.”.

Aos poucos, a segurança deixará de ser uma função isolada, para tornar-se um elemento integral do trabalho de todos.

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À medida que a tecnologia se torna um item cada vez mais significativo em todas as unidades de negócios, as empresas vão mudar a maneira como olham  para seus orçamentos – e como a tecnologia é desenvolvida e mantida pela organização como um todo.

Em muitas empresas, os serviços baseados em nuvem, incluindo aplicativos de marketing, estão fazendo com que os gastos com tecnologia se espalhem por todo o negócio. Anos atrás, o Gartner disse que as áreas de negócio gastariam mais na tecnologia do que os CIOs. Estamos vendo isso acontecer.

Em resumo, a TI não é mais um simples provedor de infraestrutura. Cloud computing, mobilidade, redes sociais e  BI/Analitics (Bigdata) não são mais tecnologias e conceitos exóticos: formam a plataforma-base para os negócios digitais, uma realidade presente em todas as verticais e em todas as geografias e e cada vez mais relacionada com a experiência do usuário. O foco de todos será na experiência do usuário – seja o funcionário, seja o cliente, seja o colaborador de um parceiro ou de um fornecedor desta empresa.

Resultado:  o que antes era definido em um orçamento puramente de TI agora será decidido por meio de um budget cooperado e colaborado com as áreas de Marketing e negócios, stakeholders do negocio digital.

Colaboração

A mudança sobre quam tem a chave do cofre não precisa significar uma mudança completa no poder. Espere uma colaboração mais profunda entre TI e outras unidades de negócio.

Carolyn April, diretora sênior de análise da indústria na CompTIA, diz que, além do orçamento tecnológico estar sendo espalhado na empresa, há evidências de que as divisões de negócios estão melhorando em trabalhar em conjunto para empregar novas tecnologias e, de forma surpreendentemente, a adoção da Shadow IT pode estar em declínio.

Todos os sinais indicam que o papel que as unidades de negócios não – TI desempenharão, tanto na tomada de decisões estratégicas quanto nas táticas de adoção de novas tecnologias,  só aumentará à medida que as empresas marcharem em direção à completa digitalização dos negócios”.

Agile como mantra corporativo

Não há nada particularmente importante sobre a necessidade de habilidades suaves e colaboração eficiente entre os departamentos. Mas há uma maneira de aplicar conceitos de tecnologia em todos os negócio para uma melhor comunicação.

Julia Davis, vice-presidente sênior e CIO da Aflac, diz que as pesquisas internas de satisfação do cliente da empresa de seguros subiram 40% ao introduzir práticas ágeis entre os departamentos.

“Ao integrar respresentantes das áreas de negócio em nossas equipes ágeis, aumentamos a colaboração e deslocamos a TI para um papel mais consultivo em vez de só tirar pedidos”, diz ela. “A colaboração com outros departamentos tem sido fundamental para o nosso sucesso. O principal motor disso é a nossa mudança para uma estrutura mais ágil “.

Espere mais empresas incorporando práticas e metodologias ágeis.

Flexibilidade

A vice-presidente da Booz Allen Hamilton, Angela Zutavern, é a co-autora do livro The Mathematical Corporation: onde a inteligência da máquina e a ingenuidade humana conseguem o impossível . No livro, ela e seu co-autor, Josh Sullivan, argumentam que uma parceria entre a inteligência da máquina e o intelecto humano formará o modelo de negócios do futuro. Mas para que esse modelo funcione, a flexibilidade é a chave.

“Os maiores avanços”, diz Zutavern, “virão da combinação de conhecimentos comerciais, conhecimentos técnicos e habilidades suaves. Os traços mais importantes para o sucesso da tecnologia nos negócios do futuro são flexibilidade na superação de contratempos e disposição para abandonar uma ideia que não está funcionando para experimentar algo novo “.

“Provavelmente veremos uma demanda crescente de habilidades” à prova de robô “que continuam a ser exclusivamente adequadas aos seres humanos. Muitas habilidades suaves tendem ser mais demandadas do que algumas das habilidades mais técnicas ou “difíceis”, diz Jeremy Auger, diretor de estratégia da Desire2Learn.

Em outras palavras, a adaptabilidade será muito mais vital para o futuro da TI.

simbiose

Simbiose

O Gartner lançou uma pesquisa sobre os termos mais hiperbólicos utilizados para descrever o futuro do trabalho, que freqüentemente incluem “perturbar, roubar ou ameaçar”. Mas a maioria dos profissionais de TI que ouvimos vê a automação criando novas oportunidades – contanto que possamos estabelecer um relacionamento simbiótico com as máquinas.

“Em última análise, qualquer coisa que tenha dados suficientes e padrões repetitivos pode acabar transformando-se em um processo orientado por IA”, diz Zutavern, da Booz Allen Hamilton. “As pessoas se concentrarão no trabalho de maior valor e menos nas tarefas mundanas. Outro deslocamento considerável é o que afeta as interações de toque, texto e conversa com os serviços de backend.

Paralelamente a esta evolução na base de como interagimos com as máquinas, haverá uma maior combinação entre humanos e inteligência de máquinas quando se trata de processos de negócios e tomada de decisões.

“Estamos vendo clientes iniciando pilotos para tomada de decisão complexa”, diz Zutavern.

Ubiquidade

Julie Woods-Moss, diretor de inovação da Tata Communications, vê a evolução da automação em estratégias digitais preparando o cenário para uma experiência de TI mais responsiva.

“A automação abrirá o caminho para um ambiente de TI mais simples e em tempo real, onde a pessoa certa – ou a máquina certa – poder obter a informação certa, no momento e lugar certos, acelerando o desenvolvimento e a implantação de novos serviços “, diz ela.

E esta capacidade de entregar rapidamente soluções técnicas específicas irá permear o negócio.

“Como os sistemas automatizados habilitados para APIs serão capazes de lidar com a maioria dos problemas de TI do dia-a-dia, a equipe de TI será liberada para se concentrar em inovar através de novas tecnologias e oferecer mais valor estratégico para diferentes linhas de negócios” Diz Woods-Moss.

Zutavern de diz que a inteligência da máquina é essencialmente uma nova forma de parceiro de negócios – e merece um assento na mesa da sala de reuniões.

“CIOs e outros líderes precisam se tornar mais confortáveis ​​com as máquinas que tomam decisões”, diz Zutavern. “Enquanto isso, eles devem permitir às unidades de negócios a flexibilidade para criar novas soluções que ainda não foram concebidas. Estamos vendo mais plataformas como serviço, que permitem que todos se unam para libertar o poder de seus dados para alimentar a criatividade, a inovação e uma cultura de experimentação “.

Fonte: CIO.com.br

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A Reforma Trabalhista e o desenvolvimento tecnológico no Brasil

Na área de serviços de TI o custo de pessoal gira em torno dos 65% (sessenta e cinco por cento) dos gastos. Assim, os custos com profissionais representam uma parcela considerável da estrutura financeira do negócio

O setor de Tecnologia da Informação (TI) é um dos poucos que há anos vem mantendo um sólido e constante crescimento em todo o mundo, visto ser protagonista de primeira hora da revolução digital que a informática e a internet vêm proporcionando na economia e na vida das pessoas.

O Brasil é considerado o sétimo maior mercado do mundo, ficando atrás apenas dos países líderes do setor (EUA, China, Japão, Reino Unido, Alemanha e França). Em 2015, o mercado mundial de TI, movimentou mais de US$ 2,2 trilhões, segundo a International Data Corporation (IDC). Na América Latina, o Brasil é o líder do mercado com 49% dos investimentos da região e cerca de 1,8 milhão de profissionais empregados. As empresas de software e de serviços de informática respondem por 45% do mercado brasileiro de TI e 78% das exportações brasileiras no segmento.

O Brasil poderia produzir muito mais, mas nos últimos anos ao invés de revermos às necessidades do setor, criar “de fato” políticas de incentivo, sofremos com o aumento da alíquota de 2% para 4,5% de contribuição previdenciária sobre a receita bruta. Um aumento que encareceu o custo social do trabalhador tornando os profissionais brasileiros mais caros que seus colegas de outros países. Com isso, o Brasil perde a competitividade. Trata-se de um boicote ao desenvolvimento de novos negócios e ao crescimento econômico, uma vez que os players do exterior têm em seus países legislações trabalhistas bem mais simples em comparação com a nossa. É fundamental, portanto, que a legislação trabalhista seja atualizada e adequada à primazia da realidade.

Diferentemente do ambiente de manufatura, nos quais o componente de mão-de-obra é importante, mas não a maior, na área de serviços de TI o custo de pessoal gira em torno dos 65% (sessenta e cinco por cento) dos gastos. Assim, os custos com profissionais representam uma parcela considerável da estrutura financeira do negócio. A mão de obra neste setor necessita de uma formação mais especializada, com domínio de um segundo idioma, formação em PMI (gerenciamento de projeto) e investimentos no processo de certificação. Essa necessidade faz com que o profissional de informática se torne um dos mais bem remunerados. Isso também faz com que a cadeia produtiva tenha que operar com procedimentos específicos que não condizem com a atual legislação trabalhista, como por exemplo, a contratação de “serviços especializados”. Dessa maneira, a terceirização de serviços (serviços especializados ou complementares) é imprescindível para que as empresas nacionais possam desenvolver e concluir a entrega de projetos.

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A prestação de serviços a terceiros está voltada para a realização de trabalhos determinados e específicos. A inexistência de normas consistentes acerca do contrato de prestação de serviços a terceiros e as relações de trabalho dela decorrentes, prejudica o desenvolvimento econômico e a geração de empregos. Especificamente na cadeia produtiva de TI, com a subcontratação em cadeia produtiva, haveria maior produção de emprego, maior distribuição de renda e mais empreendedores com possibilidade de crescimento. Terceirizar no caso da Tecnologia da Informação significa especializar e melhorar a qualidade do serviço como por exemplo, o desenvolvimento de softwares.

No nosso setor, há tempos, as empresas permitem que seus funcionários adotem o expediente remoto e flexível visando aumentar a produtividade e reduzir os custos operacionais. Por isso, muitos colaboradores trabalham em casa, principalmente pelo tipo de atividade que desenvolvem e pelo horário que precisam estar atentos.

Tão relevante quanto à terceirização é a regulamentação do trabalho temporário. O setor de economia digital constitui-se pelo caráter cíclico dos projetos tecnológicos e, especialmente por este motivo defende-se o contrato de trabalho intermitente. Neste tipo de relação a prestação de serviços será descontínua, podendo, desta forma, ser abarcada por períodos determinados (dia ou hora) e alternar a prestação de serviços e folgas, independentemente do tipo de serviço desenvolvido pelo empregado.

Os serviços desenvolvidos pelo setor de TI impactam diretamente em diversos setores da economia (comércio, indústria ou serviço). Além disso, são essenciais diante das frequentes alterações tecnológicas, como as novas obrigações fiscais, inclusive as implementadas pelo próprio Fisco. É, portanto, imperativo que a Reforma Trabalhista considere a realidade do Século XXI para que a economia possa crescer.

Fonte: CIO | Autor: Edgar Serrano

Para ser disruptivo é preciso começar do zero

Fazer a reinvenção do seu modelo de negócios pode ser difícil. Não é “pensar fora da caixa”, pois manter a caixa como referência limita a inovação, mas esquecer a caixa e construir modelos realmente novos

Estamos diante de um cenário de mudanças exponenciais, rápidas e intensas. Todos setores de negócio serão afetados e o que puder ser digitalizado o será. Escrito dessa forma, nesse texto, parece trivial, mas é uma mudança que poderá afetar setores de negócio por inteiro.

O grande desafio é que a exponencialidade não espera por ninguém. Quem ficar atrasado, corre sério risco de sair do mercado. Por exemplo, nesse ano, vimos chatbots aparecerem e em pouco tempo o Facebook Messenger já tem mais de 11.000 chatbots, onde algoritmos se comunicam com os usuários através do Messenger como se fosse com uma pessoa.

Em poucos anos, falamos de quatro a cinco, as coisas vão ficar muito mais sofisticadas. Interfaces de voz como Siri, Cortana, Google e Alexa vão se tornar muito, mas muito melhores que são hoje. O relacionamento das pessoas com as empresas vai mudar muito, pois seremos capazes de manter conversas razoavelmente aprofundadas com esses bots, e graças à aprendizagem de máquina e à quantidade exponencialmente crescente de dados que geramos sobre nós mesmos a cada ano, esses algoritmos vão aprender a se comunicar conosco de forma personalizada, parecido com nosso amigo mais próximo.

A Internet das Coisas (ioT) está explodindo exponencialmente e muito em breve veremos bilhões de dispositivos conectados à Web e interagindo conosco a todo instante. Nosso carro (se ainda o tivermos…), nossos óculos de realidade aumentada, nossos sensores biométricos, nossa casa, nosso escritório (se ainda formos até lá…), nossos aparelhos, restaurantes, lojas, aeroportos, aviões e todo o resto estarão conectados e se comunicarão entre si e conosco.

Com tudo isso, os modelos de negócio estarão mudando de forma acelerada. As barreiras, como as regulatórias, que as empresas estabelecidas utilizam como trincheiras vão cair uma a uma. Apesar da luta com que as redes hoteleiras vêm, em muitas cidades, apelando para regulamentações para frear o Airbnb, vemos que quando em 2013, os anfitriões da plataforma hospedaram nove milhões de pessoas, esse número deverá subir para quase meio bilhão em 2025, de acordo com um relatório publicado recentemente pela empresa de investimentos Cowen and Company. Não adianta lutar contra a disrupção. É o fenômeno da destruição criativa.

Fica claro que manter-se apegado a um modelo de negócios que deu certo até agora não é garantia de sobrevivência nas próximas décadas. Mas, de forma preocupante, muitos executivos não estão reconhecendo essa ameaça ou a estão subestimando.

Uma pesquisa da Deloitte aqui no Brasil mostrou que a maioria das empresas brasileiras não está acompanhando todo esse processo de adoção das novas tecnologias e tendências, que são fundamentais para a disrupção digital dos negócios. Mas, esta leniência com a transformação digital não é sintoma apenas das empresas brasileiras. Um estudo global de 2013, do MIT Sloan, “Embracing Digital Technology: a new strategic imperative”, com quase 1600 executivos, mostrou que embora 78% dos entrevistados dessessem que a transformação digital se tornaria crítica para suas organizações nos próximos dois anos, um alarmante número de 63% reconhecia que o ritmo da mudança tecnológica nas suas organizações era muito lento. O obstáculo mais frequentemente citado foi a “falta de urgência” e apenas 38% dos entrevistados disseram que a transformação digital era um elemento essencial na agenda de seus CEOs.

Na época, o MIT Sloan criou um índice de maturidade digital e na sua classificação apenas 15% das empresas foram consideradas maduras e fazendo a transformação digital na velocidade e amplitudes adequados. A maioria (65%) das empresas foi considerada imatura digitalmente, apesar de citarem jargões de mercado como Analytics, Cloud e Mobilidade em seus discursos de prioridades para os próximos anos. Mesmo quando usam essas tecnologias, faltava a elas visão e uma estratégia coerente de transformação digital. Não é criando apps ou implementando alguns serviços em Hadoop que a empresa transforma seu negócio.

Portanto, a atenção e comprometimento dos CEOs e claro, dos demais C-level, deve ser com a transformação digital e a provável reinvenção dos seus modelos de negócios. Os executivos da indústria da música e de filmes fotográficos químicos não deram a devida atenção. As cooperativas de táxi dormiram, literalmente no ponto, e o Uber está passando por cima. São hoje cases em cursos de MBA.

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Fazer a reinvenção do seu modelo de negócios é difícil. Uma grande corporação é um negócio muito mais complexo que uma pequena startup. Mas, é essencial pensar de forma diferente ao do pensamento dominante na organização de hoje. Não é “pensar fora da caixa”, pois manter a caixa como referência limita a inovação, mas esquecer a caixa e reinventar o negócio atual, que foi criado para um modelo baseado no conceito de escassez, para um baseado na abundância, seja de essa de informações, tecnologia, capacidade computacional e até mesmo, recursos físicos. Recursos físicos, sim. Por exemplo, o Airbnb não se limitou ao modelo de escassez de locais para hospedagem, como as tradicionais redes de hotéis, que demandam altos investimentos, mas considerou que as pessoas poderiam se hospedar na casa de outros. O Airbnb continua criando novos serviços, como Airbnb Trips, entrando em setores como turismo. Os guias de turismo serão os próximos a fazerem manifestações!

Pensar de forma disruptiva vai contra a natureza corporativa, que costuma pensar em termos de incrementos. Como a energia elétrica não surgiu pela evolução incremental das velas, a reinvenção dos modelos de negócio não pode ser baseada na evolução lenta e gradual do modelo atual. Deve-se olhar longe, pensar grande, e para isso uma boa sugestão é a leitura do artigo “This Is How to Invent Radical Solutions to Huge Problems”, da Singularity University , para absorver os insights que Astro Teller, diretor da X (antiga Google X) mostra no texto e no seu vídeo no TED.

Quais desafios temos pela frente?

Podemos nos deparar com a necessidade de reinvenção de uma indústria. A Amazon, com sua oferta de infraestrutura como serviço (cloud computing) derrubou a tradicional indústria de vendas de computadores, tirando uma perna de poderosas empresas como IBM e HP. O iPhone destruiu diversas industrias, como as de câmeras de vídeo, gravadores, relógios digitais, câmeras fotográficas, aparelhos de GPS, DVDs, tocadores de música, consoles de vídeo game e enciclopédias.

O desafio pode vir na forma da necessidade de criar novos modelos de negócio digitais, como o Nike+, criado pela Nike. Ou o desafio pode ser a necessidade de reinventar sua atual proposição de valor para seus clientes. Estamos vendo os bancos digitais e novas formas de seguro de veículos, como seguro por milhagem percorrida ou por dias específicos aparecendo aqui e ali, criando rupturas nos negócios financeiros tradicionais. As FinTechs, por exemplo, fizeram os bancos saírem de sua cômoda casca e correrem atrás do prejuízo, buscando também se tornarem digitais.

Os modelos de negócio não são eternos. Reinventar modelos de negócio significa navegar por mares desconhecidos e muitas vezes arriscados. Por outro lado, ignorar as disrupções implica em sérios riscos e imensas perdas financeiras, como as empresas de telefonia estão sofrendo com o Skype e WhatsApp.  A jornada para a transformação dos negócios está apenas começando e a primeira pergunta, a mais difícil – “como começar do zero?” – pode ser a pergunta que vai gerar as ideias que nunca foram consideradas antes. Que tal começar por ela?

 

Autor:Cezar Taurion | Fonte: cio.com.br